Logo do Pixel Ripped 1989, que deve ser o primeiro episódio de uma saga.

Ana Ribeiro: Empadas, realidade virtual e Pixel Ripped

Eu sempre dei importância ao ato de contar histórias. Sejam elas reais ou escritas por alguém, o importante é o valor de fazer as pessoas refletirem, pensarem na própria vida e as vezes até mudarem o jeito de pensar. E esse é um dos principais motivos pra existência do blog. A história desta vez é a da Ana Ribeiro, uma funcionária pública do Maranhão que largou um emprego estável e saiu da cidade para estudar game design, e agora está prestes a lançar seu primeiro jogo em realidade virtual.

Mas esta é a versão resumida, claro.

A história da Ana já estava prestes a passar por uma mudança antes dos games entrarem em cena. Trabalhando há 5 anos no cartório da cidade, ela já possuía uma carreira “garantida” no funcionalismo público. Não que o trabalho burocrático de escritório fosse muito a cara dela “Eu queria criar algo e não podia criar nada. Eu lembro que eu tentava modificar as etiquetas das caixas de processo, mas não podia”. E o lado empreendedor começou a tomar forma com a venda de empadas no cartório. A coisa deslanchou, e logo ela tinha seus próprios funcionários e estava prestes a alugar um espaço para abrir uma lanchonete.

Ana Ribeiro falando para uma platéia.
O empreendedorismo começou com as empadas e acabou levando Ana para o desenvolvimento de jogos.

Foi então, que no EMPRETEC, um evento do SEBRAE focado em futuros empreendedores, que a Ana ouviu a pergunta que a fez repensar tudo. “Imagine que você nasceu hoje, e você pode fazer o que você quiser. O que você gostaria de fazer da sua vida?”. E foi aí que a desenvolvedora percebeu que sua resposta não era “Empadas”. Com isso veio a decisão de vender o carro, largar o emprego, deixar as empadas para trás, e viajar para Londres fazer um curso de game design, começando a vida do zero. Claro que não foi tão rápido assim “Vários amigos vinham conversar comigo, vinham perguntar ‘Mas o que está acontecendo?’. Todo mundo pensou que eu tava pirando”.

Durante o primeiro curso, que era mais voltado para programação e criação da sua própria Game Engine, Ana passou para um mestrado em game design, porque sua formação em psicologia era o tipo de background diferenciado que os responsáveis pelo curso procuravam.

Pixel Ripped

Foi no último ano do mestrado que Pixel Ripped nasceu, e ele é, digamos, um inception de jogos. Com o óculos de realidade virtual você controla Nicola, uma garota que quer jogar seu game preferido, mas tem que lidar com distrações como uma professora… durante a aula (Quem nunca?). E dentro deste game (o titular Pixel Ripped), você controla Dot, uma aventureira que precisa salvar a alma de seu mundo.

Nicola jogando, com garota na sua frente brinca com um pogo ball
Você vai encontrar diversas referências diferentes na rotina da Nicola. Nem todas ligadas a jogos.

O projeto foi aprovado no mestrado, e também por vários amigos e conhecidos que participaram dos primeiros testes. Com isso, Ana e Steff Keegan, que é a responsável pela arte do game, decidiram que era hora de lançar uma campanha no Kickstarter, buscando 40 mil libras para financiar o jogo.

Infelizmente a meta da campanha não foi alcançada, mas ajudou a aumentar a visibilidade do Pixel Ripped. E também mostrou que algumas pessoas tem muito tempo livre.
Um teórico da conspiração no Reddit “descobriu a verdade”, e revelou que as duas eram atrizes contratadas pelos desenvolvedores reais, para chamar mais atenção para o seu jogo.  Não demorou muito para desmentirem o boato e o tópico ser apagado, o que Ana achou uma pena: “A gente ia fazer um segundo vídeo pra campanha vestidas de homem, dizendo que fomos descobertas”. O vídeo original ainda pode ser visto em toda sua glória dos anos 80 na página do Kickstarter.

De lá pra cá, o projeto recebeu apoio da aceleradora Boost, e a Ana mudou-se para a Califórnia. Agora, a equipe de 11 pessoas trabalha a distância, com gente localizada nos Estados Unidos, Inglaterra e Brasil. O game também rodou o mundo, apresentado em diversas feiras e recebendo prêmios.
Mas o que mais marca são as reações do público à nostalgia do jogo. Ana comentou que teve gente que realmente se emocionou: “Ele chorou, me abraçou, foi inesquecível. Disse que faziam anos que ele não tinha uma experiência assim jogando videogame.”

 

Agora o time está focado em adaptar o jogo para o PSVR. Com isso, a previsão é de que Pixel Ripped seja lançado para PS4, PC e Gear VR em julho deste ano, e você pode acompanhar de perto o game em sua página da Steam. Conforme o sucesso do game, a ideia é que Dot ganhe novas aventuras episódicas, acompanhando outras gerações e consoles.

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