Representação de um criador de jogos. O Game Designer.

De jogador a criador – Os primeiros passos

Fala pessoal! Essa é minha primeira aparição por aqui, então resolvi compartilhar com vocês as descobertas que venho fazendo.

Pouco tempo atrás, jogando meu Xbox One me deparei com Stardew Valley, um jogo no qual dediquei um bom tempo de gameplay. O jogo me remetia ao sentimento nostálgico da infância, na qual, perdia horas e horas com a fita alugada de Harvest Moon do SNES. A sensação que jogos simples me causam sempre foi diferenciada.

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Mas o que mais me impressionou a respeito do jogo foi o fato de que Eric Barone desenvolveu o game por 4 anos sozinho. Uma única pessoa engajada num processo tão difícil e trabalhoso como criar um jogo por tanto tempo não é tarefa que qualquer um encararia, mas o resultado foi um sucesso que rendeu em apenas duas semanas mais de 400 mil cópias vendidas, superando a marca de um milhão de cópias em dois meses.

Foi aí que eu pensei: “Por que não tentar? Seria possível eu criar um jogo sozinho, mesmo que somente para eu ou alguns amigos jogarem?”.

Naquele momento eu não tinha nenhuma habilidade que pudesse ajudar a realizar minha vontade: não sabia programar, não sabia desenhar, e pior, ainda não sei! Mas, a internet está de braços abertos para quem quer aprender.

Com algumas horas de leitura e pesquisa fui juntando informação até que acabei por desenhar um caminho para meus objetivos. Foi com esse caminho em mente que resolvi escrever esse texto para auxiliar pessoas que talvez estejam no mesmo momento que eu. Com um punhado de ideias na cabeça, muita vontade, mas perdido para dar o pontapé inicial.

Eis aqui os passos para começar a desenvolver seu próprio jogo:

1 – Aprenda a programar

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Inevitavelmente você terá que lidar com programação. Existem editores de jogos que não utilizam propriamente programação, falarei deles mais a frente, mas se engana quem pensa que mesmo neles o conhecimento de lógica de programação não é necessário.

Tive contato com o editor Construct 2 e através dele vi a necessidade de conhecer JavaScript e PHP, duas linguagens de programação voltadas para internet, o que me levou a aprender HTML5 e CSS3, ou seja, o primeiro passo está dado, mas acredito que ainda terei que visitar linguagens mais robustas como C e C++, Java, etc.

O conhecimento de programação é fundamental na área de criação de jogos. É como saber português para viver no Brasil, você pode até tentar se virar sem, mas será quase impossível.

2 – Aprenda um mínimo de conceitos de arte e design

Os games de hoje assumem formas fantásticas, graças à capacidade dos motores gráficos das máquinas modernas. Mas isso não quer dizer que obrigatoriamente seus jogos devem ter gráficos miraculosos. Os games retrô estão com tudo no cenário atual e cada vez ganham mais o gosto de jogadores.

Screenshot de Fez, criado por Phil Fish

Existem inúmeras possibilidades. Eu comecei com PixelArt, um estilo de criação com aspecto retrô, mas também estou retomando minhas habilidades de criança e voltando a desenhar, bem como tenho lido e estudado os primeiros passos para trabalhar com modelagem 3D, cell shading e vetor.

Além disso, é essencial aprender os conceitos de animações para dar vida aos seus jogos.

Felizmente a internet disponibiliza material gratuito caso você não queira criar suas artes. Sites como http://www.gameart2d.com/freebies.html permitem aos criadores baixarem sprites para usarem em seus jogos ou treinarem sua arte.

3 – Conheça editores de jogos

Tela do Construct 2, programa criador de jogos.

Como eu disse, meu primeiro contato foi com o Construct 2, um editor criado pela Scirra Studio, que tem como proposta a criação de jogos 2D sem necessariamente exigir da pessoa conhecimento em programação.

Prós: Interface simples; fácil aprendizagem com muitos tutoriais gratuitos na internet; programa leve; não exigir necessariamente conhecimentos e programação.

Contras: Versão paga muito cara (R$ 369,99), sendo que a versão gratuita não disponibiliza todos os recursos do editor para o usuário.

Engines mais poderosas como Unreal Engine 4 e Unity já voltadas para jogos robustos e da atual geração de games exigem o conhecimento de programação para desenvolvimento sendo um passo futuro para quem está começando do zero. A Unreal até possui ferramentas que permitem criar jogos sem conhecer programação, mas elas também limitam um pouco da sua liberdade.

Outro ponto importante é que quanto mais poderoso for o editor, mais poderosa terá que ser a máquina para rodá-lo.

4 – Aprenda inglês

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Não tem como fugir, o inglês é o idioma do mundo. A maior parte do conhecimento do mundo está na língua do tio Sam, não sendo diferente com o mundo dos games. Programação tem como base a língua inglesa, os editores de jogos estão em inglês.

Você não precisa ser um nativo fluente, mas precisará ler e escrever em um nível considerável se quiser ter êxito na criação de jogos.

5 – Invista em Hardware

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Esse passo pode ficar em segundo plano, mas cedo ou tarde você futuro criador de jogos terá que desembolsar dinheiro para ter uma estação de criação decente.

Um computador potente para engines poderosas, uma mesa digitalizadora para criação de arte digital, são alguns dos investimentos necessários para um game designer.

Em resumo, como qualquer outra atividade humana, criar jogos digitais exige esforço e dedicação. Criar um jogo não é o mesmo que ligar seu vídeo game e jogar, mas se você realmente quer isso para você como eu quero, vai se dedicar e suar a camisa para alcançar seus objetivos.

Espero ter ajudado com os primeiros passos e pretendo ir caminhando junto de vocês.

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