Terry Cooper, o protagonista de Necrosphere

Review: Necrosphere – Um metroidvania com dois botões

O Necrosphere foi um dos jogos escolhidos para nossa Mostra de Games Nacionais em Santos. E a reação dos jogadores era sempre bem semelhante, algo como “Ah não! Morri de novo” > “Ok, só mais uma tentativa”. Era engraçado ver quantas vezes esse ciclo se repetia. E esse é um dos maiores atrativos de Necrosphere, o fato de que, não importa o quanto você se frustre, a vontade de tentar mais uma vez é sempre maior do que a de desistir.

O agente Terry Cooper está morto e como sabemos, ele foi parar na Necrosphere, a dimensão dos mortos. Mas isso não é tão permanente quanto parece, basta achar um portal adequado para que Terry volte ao mundo dos vivos. E cabe a você explorar essa dimensão e ajudar o agente, usando apenas dois botões, e com a ajuda eventual das mensagens deixadas de alguma forma pelos parceiros de Terry.

Terry saltando sobre uma fileira de espinhos usando as bolhas
No início essas bolhas serão suas maiores aliadas… No início.

De início o game pode parecer bem simples, afinal você só pode andar para a esquerda e a direita. Mas é justamente essa simplicidade que consegue prender a sua atenção, e fazem de Necrosphere uma verdadeira maravilha do Level Design inteligente e eficiente!

Novos elementos são apresentados gradativamente, sem que nunca seja necessário utilizar mais do que as duas teclas iniciais. A primeira destas adições são as bolhas que fazem Terry pular. Elas começam como um auxílio para desviar de obstáculos, mas conforme você avança, se tornam até obstáculos, aparecendo no meio do seu caminho na pior hora possível, como por exemplo, logo abaixo de uma fileira de espinhos mortais.

Só quem jogou sabe a felicidade de alcançar este ponto do game.
Só quem jogou sabe a felicidade de alcançar este ponto do game.

Como se supera esse desafio? Não teria graça se eu contasse, mas posso avisar que envolverá tentativa e erro… E mortes. O sistema de checkpoints no game é extremamente generoso, lembrando muito Super Meat Boy, e esse é outro fator importante para impedir sua frustração diante da inevitável sequência de mortes que você vai enfrentar.

Claro que conforme você avança, a generosidade destes checkpoints diminui um pouco, e é aí que você nota que cada sequência é como um grande puzzle a ser resolvido, e cada tentativa te torna um pouco mais habilidoso no que foi pedido. É isso que alimenta a vontade de tentar novamente que mencionei lá em cima, a satisfação de superar mais um obstáculo.

O jetpack é um dos itens mais úteis de Necrosphere, mas também é o responsável por alguns momentos enlouquecedores.
O jetpack é um dos itens mais úteis de Necrosphere, mas também é o responsável por alguns momentos enlouquecedores.

O visual retrô tem seu charme, (não dá pra não rir ao ver Terry ganhando sua nova roupa) mas o que realmente rouba o show é a trilha sonora. Ela é a maior responsável pela viagem nostálgica de quem já jogou nas eras dos 8/16 bits. E é a trilha que também serve para te deixar tenso em alguns momentos. Sério, qual é a daquelas vozes perto do final?

Necrosphere não é uma experiência longa, minha primeira jornada pela dimensão dos mortos durou três horas. E a própria Cat Nigiri realiza uma competição para speedrunners, com o atual líder atingindo a marca dos 15 minutos! Mas ele tem um preço justo, e caso você seja perfeccionista, vai querer jogar pelo menos mais uma vez para achar todos os DVDs (os colecionáveis do game).

Uma das coisas que mais me atrai nos jogos independentes, é o fato de que os desenvolvedores sempre devem ser mais criativos, já que tem menos recursos. E Necrosphere é uma lição sobre como criar uma experiência empolgante com o mínimo de elementos possíveis.

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