Wander e Mono, de Shadow of the Colossus

O roteiro abandonado de Shadow of the Colossus

Por algum motivo Hollywood ainda não desistiu de adaptar videogames para o cinema. E do mesmo jeito, os gamers não deixaram de ficar esperançosos com os anúncios de uma nova adaptação. Eu mesmo sou culpado de falar mais de uma vez que Uncharted faria uma boa transição dos consoles para o cinema.

Ainda assim algumas possibilidades de adaptações fazem qualquer fã sentir medo. Como é o caso de Shadow of the Colossus. Ok, a gente até pode concordar que o jogo é, ou pelo menos tem muitos momentos, cinematográficos. Mas isso acontece por pontos como ângulos de câmera, iluminação e coisas do tipo.

Porém, o game em si tem no máximo três ou quatro diálogos, excluindo as explicações de Dormin sobre os colossos. Isso sem falar no fato de que toda a ação que acontece entre o início e o final é apenas uma repetição de lutas com as criaturas. Muito interessante no gameplay, nem tão interessante de se assistir.

Wander erguento sua espada, que emite um feixo de luz para indicar a localização do próximo Colossus
Indo ali encontrar alguém que ache uma boa ideia adaptar esse jogo para o cinema.

É claro que isso não impede os estúdios de tentarem. Já se fala de uma adaptação de Shadow of the Colossus, lançado em 2005, desde 2009. Nove anos se passaram, e só o que temos são notícias sobre trocas de diretores, roteiristas e produtores. As últimas informações datavam de 2014, quando Andrés Muschietti, diretor de Mama, foi anunciado para substituir Josh Trank, na segunda troca de diretores. Pelo menos até o início deste ano, quando uma das primeiras versões do roteiro foi a público. Ela foi escrita por Justin Marks, que já não está mais envolvido no projeto, e, bom, o consenso geral é que é o roteiro é bem ruim.

Justin foi o responsável por “Street Fighter: A Lenda de Chun-Li” e você pode interpretar isso como quiser. O roteiro não está completo, é verdade. E é seguro afirmar que ele já passou por muitas mudanças. Mas ainda assim, foram tomadas liberdades criativas o suficiente para preocupar qualquer fã do jogo.

O início é uma reprodução bem fiel da abertura do game, com Wander chegando ao tempo com o corpo de Mono, e o diálogo inicial entre o protagonista e Dormin. Porém depois disso, Justin passa a explicar as origens do relacionamento entre Mono e Wander através de flashbacks. O roteiro chega a abordar uma das batalhas com os Colossus, e esta parte também soa bem fiel.

As diferenças

Um resumo das alterações: nesta versão, Wander é um ex-escravo fugitivo que encontra uma vila primitiva e extremamente religiosa. Já Mono é a filha de um fazendeiro alcoólatra e abusivo, que também é dono de Agro. Enquanto isso Emon, é apresentado como um vilão do tipo mais clichê possível, só faltando a risadinha maligna. Até o nome é ruim “Emon Ba’ad’gi Putridus the Third”, parece um antagonista de fanfic do Star Wars!

Uma das maiores reclamações de quem leu o roteiro, foi justamente o fato de ele acabar com a ambiguidade moral que havia no jogo. Emon é sim um antagonista, tentando evitar que você complete o ritual e reviva Mono, mas ele faz isso apenas porque a consequência disto é o retorno de Dormin, algo que parece muito ruim. No fim, Emon diz esperar que Wander tenha a oportunidade de compensar o erro que cometeu.

Wander ajoelhado diante do altar com Mono
Existem muitas lacunas que podem ser preenchidas no enredo, mas isso não quer dizer que qualquer história daria certo.

Mas não aqui. No filme ele simplesmente destrata o protagonista por ser um ex-escravo e não é uma boa pessoa. O mesmo vale para as circunstâncias da morte de Mono. A versão original diz que ela foi “sacrificada por ter um destino amaldiçoado”, já no roteiro, apesar de haver menção a uma maldição, sua mãe morreu no parto e isso não é bem visto por seu povo, não há um sacrifício. Mono acaba sendo morta por seu próprio pai, que bêbado, joga a garota contra uma parede e quebra seu pescoço. Havia também menções ao fato de que ela apanhou outras vezes do pai.

Esse é outro dos grandes pontos que não agradaram as pessoas. Não há sacrifício e nem Wander se opondo contra alguma grande tradição que ele também fazia parte. Tudo bem que nada disso está explícito no jogo também, mas às vezes, tentar explicar demais é a pior alternativa. Existem vários outros pontos estranhos no roteiro, e se você quiser, pode conferir o vídeo de Dan Olson do canal Folding Ideas. Ele fez uma leitura completa da obra e aponta várias outras coisas, como a aparente incapacidade de Justin entender qual tipo de referência religiosa ele quer usar.

O futuro do filme de Shadow of the Colossus?

Enfim, esta era uma versão antiga do roteiro, de lá pra cá, os roteiristas e diretores já foram trocados e muito pode ter sido alterado. Ainda assim, vocês acham que é uma boa ideia termos um filme sobre Shadow of the Colossus? Ou seria melhor deixar isso pra lá, e curtirmos só a história nos consoles?

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