Novo pôster do game The Walking Dead: A New Frontier

The Walking Dead: A New Frontier e meu problema com a Telltale

A terceira temporada de The Walking Dead, chamada A New Frontier, tem seu lançamento previsto para novembro, e eu pretendo acompanhar mais esse título, até pelo meu interesse geral em The Walking Dead. Mas dessa vez, eu dificilmente vou jogar com o mesmo ânimo que joguei os anteriores. Antes de tudo, aquele aviso amigo de que o texto abaixo contém spoilers não apenas de TWD, mas também leves spoilers de Game of Thrones da Telltale.

Não me entendam mal, não vou questionar a capacidade da Telltale de escrever uma história fantástica! Eu me emocionei durante boa parte da primeira temporada, fiquei em dúvida sobre qual seria a escolha certa a tomar, e passava uns bons minutos encarando aquela tela do final de cada episódio, que comparava as suas decisões com as feitas por outros jogadores, me perguntando se eu poderia ter mudado os acontecimentos.

Tela final de um dos episódios de The Walking Dead Season 2, mostrando as cinco principais escolhas que o jogador fez.
Será que você tomou as decisões certas?

The Walking Dead ainda é uma experiência sensacional, meu problema é com o pequeno aviso que aparece ao iniciar a jornada, aquele que diz algo como “Essa série se adapta as escolhas que você faz. A história se molda de acordo com o jeito que você joga.”. Isso define o que você pode esperar do jogo, e durante seu primeiro playthrough, seja em The Walking Dead, The Wolf Among Us, Game of Thrones ou algum dos muitos outros, a sensação é realmente essa. Mas no momento em que você passa para uma segunda aventura, a cortina cai um pouco, e as engrenagens começam a aparecer.

Todo mundo lembra da primeira decisão difícil em TWD: salvar Carley, a jornalista com voz ativa no grupo e possível interesse romântico de Lee, ou Doug, o técnico de TI mais neutro, mas que aparentemente pode trazer mais conhecimento tecnológico para o grupo? Momento difícil, um é salvo, o outro morre, mas dois episódios depois, quem quer que você tenha salvo é baleado em uma discussão na beira da estrada, não importa o que você faça.

Esse não é um artifício ruim, pelo contrário, ajuda a definir o tom de uma história ambientada no universo de The Walking Dead, as coisas estão ruins e sempre podem piorar, não existe um herói para salvar o dia, apenas pessoas, que podem cometer erros. Mas com duas temporadas disso, você começa a perceber que essa também é uma ferramenta para manter a história nos eixos, já que seria realmente muito caro e trabalhoso criar inúmeros finais diferentes baseados em 5 episódios de escolhas.

Mas quando você usa isso sem o devido cuidado, então as nossas escolhas passam a ser insignificantes. O momento em que passei a me importar menos, foi quando Sarita, uma das personagens da segunda temporada é mordida no braço por um zumbi, e eu tive que escolher entre matar o bicho ou cortar o braço dela. Sabendo como a infecção funciona, eu fui lá, e fiz a Clementine (A garota de 11 anos que SEMPRE toma as decisões mais maduras naquele grupo) cortar o braço da Sarita. Tenso e Brutal. Um ótimo final de episódio, porém, no momento em que o próximo capítulo começa, isso acontece:

Então, o que muda se você não cortar o braço de Sarita? Kenny a socorre, e os dois fogem. Sarita aparece moribunda no ponto de encontro combinado, e depois… morre. O mesmo ocorre com Sarah, e também com Ethan Forrester de Game of Thrones, ou Arthur. Não são apenas as escolhas que acabam com a morte de um personagem, mas essas são as que mais acabam impactando o jogador.

A segunda temporada ainda acabou de uma forma interessante, com finais bem distintos. Clementine foge sozinha com o Alvin Jr., volta com Jane e o bebê para o que sobrou da comunidade, ou segue com Kenny para uma nova cidade? Pelo menos três possíveis conclusões, mas infelizmente a terceira temporada começa pelo menos alguns anos após o final da anterior, e a sua escolha só deve pesar em alguns diálogos ou flashbacks. Deixo aqui minha torcida para estar errado e ser surpreendido!

Clementine de The Walking Dead se esconde, segurando um révolver enquanto uma criança segura seu braço.
Clementine e o único sobrevivente certeiro da segunda temporada.

Todos os jogos tem algum nível de escolha, seja aquelas que afetam a história, como escolhas menores, que afetam apenas o gameplay e a experiência do jogador. Qual arma usar em um determinado encontro com inimigos, quais golpes e combos você fará em uma luta, tudo isso é, em algum nível, uma escolha. Porém, quando sua série baseia grande parte da jogabilidade nelas, incluindo aquele aviso que eu falei lá em cima, é esperado que elas tenham mais importância, que o jogador seja mais levado em consideração. Ainda jogarei The Walking Dead: A New Frontier, porque eu tenho muito interesse na história que a Telltale está escrevendo, a única coisa é que agora eu sei que são eles que a escrevem, e não eu.

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